quarta-feira, março 02, 2005
Nada como um dia após o outro. Eles tanto me odeiam, esses urbanóides. Dizem que não dá pra caminhar ou dirigir no asfalto quando apareço. Vocês sabem que eu demoro pra vir, mas quando venho boto pra quebrar. Começo a rugir, solto fogos e depois choro como uma condenada. Faço lagos, piscinas, rios onde esses humanos correm feito loucos. Faço todo mundo correr da beira do mar. Por isso que eles não gostam de mim, dizem que eu estrago as férias deles. Especialmente agora, no verão, é que eles mais falam mal de mim. Rezam para que eu não apareça. Dizem que é injusta a minha presença.
Só de raiva resolvi tirar umas férias. Agora eles olham pra lavoura, pras plantinhas de casa e sentem minha falta. Hipócritas. Depois de tanto me esconjurarem, ficam até lançando aviões com sal pra ver se eu apareço. Humanos são engraçados: só sabem valorizar quando não tem. Imaginem se eu aparecesse no verão, pelo menos duas vezes por semana? Estariam berrando em todo lugar porque estraguei as férias...dessa vez, não estraguei as férias de ninguém. Mas aí reclamam que têm de comprar água, que as plantações morrem, que os rios tão sujos...aliás, também tirei umas férias desses porcos que não param de jogar coisas absurdas nos meus filhos. Onde já se viu, colchões, sofás! Será que não percebem que tanta gente como eles adoraria ter um daqueles na sua casa? Ficam jogando no rio!
Eu realmente cansei de tudo isso.Agora talvez eu volte. Apareço de vez em quando, dou uma olhada, molho um pouquinho o chão, levanto o calor e depois vou embora. É divertido vê-los gritar, quase chorar: "A chuva chegou! A chuva chegou!". Não, não cheguei ainda, só mais tarde. Sei que quando voltar vocês não terão ainda aprendido a lição, mas de repente esse susto ajuda em alguma coisa.
luís felipe posted at 12:27