quinta-feira, setembro 09, 2004
Agora descobri onde está Deus. É na subjetividade, onipresente em todos os homens e onipotente sobre eles. Deus é subjetivo, Ele não é ou está. Ele nem pode ser chamado de Ele, nem de ele. Porque esse pronome remete a um sujeito, que não existe. Deus está no meio de todas as palavras que fazem o bem, e a antítese está nas palavras que representam o mal. Deus é Deus por que tem a maior das antíteses.
eu adoro esse texto.
luís felipe posted at 01:55
Existem coisas que se resolvem com um olhar para o pôr-do-sol e uma frase qualquer de final de noite, mas existem outras que não. Existem problemas dos quais a gente foge passando uma tarde inteira bêbados, até descobrir que eles voltaram e não vai ser tão fácil assim, já que perdemos um dia para refletir sobre eles. Existem também coisas que não se perdem. Amigos que só conhecemos depois das brigas. Pessoas maravilhosas que vivem demais sem saber lidar. Pessoas ainda mais incríveis que não sabem que tudo pode se perder em um segundo e que se arrependerão quando isso terminar.
Não quero dormir ainda que meus olhos implorem. Sei que o esforço de manter minha mente ocupada por mais alguns minutos pode produzir um bom texto. Sei também que o cansaço nunca produz bons textos. Nem a angústia, nem o sentimento reprimido, nem a infelicidade das coisas não ou mal ditas. Sonho em fazer todas as perguntas para os amigos espirituais e que eles me respondam. Sonho com suas respostas. Claro que elas não chegam. O mundo, o destino ou a natureza diz pra mim "te vira com o que é terreno". Tá bom, tá bom, vou tentar de novo. Talvez vou tentar fugir desse mundo e pensar no mundo que um dia meus ídolos sonharam com ácido lisérgico. Queria muito experimentar ácido. Só que viajar de cabeça quente é um problema, era preciso fazer uma revisão nos motores antes, o que estou fazendo agora, por isso estou aqui.
E também por isso eu liguei pra Natália. Natália era uma guria que eu odiava quando tinha dezesseis e lia O Apanhador do Campo de Centeio em inglês - ou seja, era o guri mais prepotente da face da terra. Achava ela muito fútil e todas aquelas coisas ruins quando se é um adolescente que pensa que sabe tudo. Briguei com ela várias vezes. Frequentamos a mesma sociedade espírita. Não suportava nem os argumentos nem os abraços dela. Precisei envelhecer três anos para usar os mesmos argumentos e dar os mesmos abraços em pessoas diferentes. Depois que passei a entendê-la, nunca mais dei três beijinhos. Então eu liguei pra ela e falei tudo o que precisava dizer. Ela me ouviu e deu sábios conselhos. Eu cheguei a ponto de chorar no telefone, quando lembrei das brigas que tivemos e como eu respeitava ela agora. A Natália é uma pessoa admirável, ela me pegou no extremo da intolerância e pior, foi vítima disso. Mesmo assim sempre quis ser minha amiga.
Além de aprender a abraçar minhas amigas, com a Natália aprendi a não descartar as pessoas. Hoje uma guria com quem falei algumas vezes no início da faculdade me cumprimentou. Duas vezes. Ela não fazia isso há alguns meses. Nunca entendi o porquê. Ela até puxou assunto a respeito da cadeira dela no LICO. Tem amigos meus que não gostam dela. Dão diversos motivos, defeitos de sua personalidade, para isso. Quero crer - e para isso serve a Pollyanna, veja só - que é uma pessoa tímida, que tem problemas pra se relacionar com o mundo externo, digamos. No desejo de crer nisso é que pretendo nunca descartá-la, dizer que odeio ela e não quero saber dela. No máximo - e isso faço com quem já declarou que ME odeia - vou fingir que não existe.
Como seria bom e fácil chutar o balde pra cima e dizer "não quero saber, dane-se o mundo, morram essas pessoas com quem me preocupo". Seria bem mais simples não voltar pra casa com enjôo no estômago, um enjôo que já senti antes, quando sabia que meus sentimentos estavam afogados, meus desejos reprimidos, as palavras engasgadas. Desopilar, nem que seja na cabeça das pessoas que mais gosto. Meu irmão, lendo isso, provavelmente me recomendaria o kung-fu. Mas faz tempo que não desopilo aqui mesmo, nas letras, para que todos leiam. Já aviso às pessoas que se sentem envolvidas nesse texto: não comentem nada comigo. Leiam e pensem o que quiserem. Quero ver suas palavras traduzidas nas atitudes. Sei que essa sempre é a parte mais difícil, eu não sei se faria. O que eu sei que não vou fazer é descontar meus problemas em cima de quem não merece. Pelo menos, vou tentar não fazê-lo.
Hermann Hesse disse com muita propriedade num livro clássico seu: "Quem quiser nascer tem que destruir um mundo; destruir no sentido de romper com o passado e as tradições já mortas, de desvincular-se do meio excessivamente cômodo e seguro da infância para a conseqüente dolorosa busca da própria razão do existir: ser é ousar ser." Essa frase é para nós, SER é OUSAR ser. SER é LIBERTAR-SE. SER é saber quando algo MORREU e precisa ser trocado por algo NOVO. E quando levamos essa NOVIDADE para dentro de nós mesmos, estamos sendo. Eu quero ser. Eu pretendo ser. A busca é dolorosa, é sofrida, eu sei. Mas eu quero.
luís felipe posted at 01:12
terça-feira, setembro 07, 2004
minha mãe hoje no almoço contou que uma colega dela está apavorada com o seu filho, bixo da UFRGS. "Agora ele diz que quer ir numa tal de chinelagem! Imagina que coisa horrível não deve ser!". Mandei a mãe avisar que a colega dela pode ficar tranqüila, não há sacrifício de animais nem pentagramas de fogo.
luís felipe posted at 23:51
às vezes, dizer certas coisas é tão difícil que me pergunto se o silêncio não é a chave para a boa convivência.
luís felipe posted at 21:16
o horário eleitoral continua me lembrando a antiga Sessão Comédia. Agora uma mulher do PP, candidata a vereadora, disse que se for eleita vai criar "ONGs para melhorar o meio-ambiente". Talvez a retardada não tenha percebido que ONG é uma Organização NÃO-governamental.
luís felipe posted at 21:05
calor é uma merda.
luís felipe posted at 15:22
domingo, setembro 05, 2004
estou mergulhado no rock psicodélico sessentista. É uma das influências mais inspiradoras e fantásticas da minha vida. Não consigo sair na rua sem pensar no coelho branco da Grace Slick, no gato siamês de Syd Barrett ou na mãe coruja de Ian Anderson. Sempre gostei desse tipo de música - transcedental, hipnótica, mística - mas ela nunca tinha sido tão arrebatadora pra mim como agora. Quem precisa de gasolina, pernas ou dinheiro pra viajar? Quem precisa do chão? Ah, a gravidade é uma droga.
luís felipe posted at 14:52
eu esqueci que no meio desse longo fim de semana ainda tem uma aula de fundamentos de TV e outra de LPT III, bem como tenho de escrever um texto para essa última.
luís felipe posted at 14:08
vão ter outros como esse nesse semestre, dada a quantidade de feriadões que teremos. Como eu escolhi não ter aula na sexta, o saldo será cinco dias livres da rotina. E diversão, sim, porque não?
ontem por exemplo eu voltei a um churrasco da turma, coisa que não fazia oficialmente desde...enfim. Mas ontem eu estava lá, do princípio até quase o fim, e foi bem divertido. Fazia tempo que eu não passava uma tarde inteira sem estar sóbrio - e o melhor, sem que a bebida tenha me afetado organicamente. Foi espetacular o nosso jogo de futebol, em que alguns ainda tentavam levar a sério. Eu joguei com a calça jeans comprada no dia anterior, tênis de passeio e óculos, ou seja, não foi lá uma grande performance. Me lembro de cair duas vezes voluntariamente.
ainda tinha uma festa de aniversário da Juliana naquela noite, mas eu cheguei em casa muito cansado e nem cogitei sair. Só ouvi a classificação do Inter para os dois grenais na sul-americana e dormi até a uma da manhã, quando levantei para comer, ler todo o jornal de domingo e ouvir o CD que baixei na sexta feira, The Piper at the Gates of Dawn.
e agora ouço o mesmo CD sem camisa e de bermuda, nessa manhã muito quente, enquanto minha mãe acha que não acordei. Vou dar satisfações a ela.
luís felipe posted at 11:57