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sexta-feira, agosto 20, 2004

vocês não acham curioso que o Partido dos Aposentados da Nação esteja numa aliança cujo slogan é "A Renovação Necessária"?




luís felipe posted at 16:47


muito bom o poetikaos. Recomendo.


luís felipe posted at 01:52


quarta-feira, agosto 18, 2004

acabo de dar um cano num amigo meu.
desisti de ir no centro com chuva pra assistir ao videodebate na sede do PSTU.
minha mãe ocupou o telefone na última meia hora e não pude avisar.



mas no poetikaos eu vou.


luís felipe posted at 19:10


Esperava eu a disputa do bronze com o brasileiro Leandro Guilheiro segunda, quando vi uma luta entre uma francesa e a holandesa Deborah Gravenstijn. Os franceses estavam feridos pela derrota do seu judoca (que havia derrotado o brasileiro) para o russo Makarov. A francesa mostrou uma superioridade absurda, fez três koka e um yuko, massacre absoluto. Faltando 30 segundos, a holandesa conseguiu um ippon e foi pras finais. Confesso que me emocionei. A treinadora dela chorava, incrédula, enquanto ela não parava de pular no tatame. Acabou com o bronze.

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Falando em judô, outro momento engraçado foi quando um lutador neozelandês pegou um turco pelos dois braços e jogou na lona, para surpresa de todos. Só que isso foi no boxe, e o neozelandês foi desclassificado.

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Sala de Redação, terça-feira.
"Mas porque o judô tem dois medalhistas de bronze?"
"Porque tem várias modalidades diferentes, pra diferentes pesos"
"Não foi essa a minha pergunta."
"Ah, então tu acha que o de 120 kg luta com o de 60?"
"Claro que não!"
"Por isso que tem vários medalhistas."
"Não, não são vários, são dois"

até que eles descobrissem em consenso que haviam dois medalhistas de bronze por categoria, que por sua vez é dividida em pesos, esses profissionais da comunicação demoraram muito.

logo depois, chamaram um especialista em história grega:
"Teve também aquela grande história de Filípedes, que era um ateniense, o melhor esportista da sua época, mas que era cobiçado pelos espartanos, que imaginavam ver em Filípedes um grande guerreiro..."
"Gol! Gol do Brasil. 7x0 na Grécia."
"Escuta" - fala o Lauro Quadros para o historiador - "naquela época todo mundo saía do armário, né? Quase todos assumiam a homossexualidade..."
Aí eu desisti do rádio e fui comer chocolate.


luís felipe posted at 17:06


Nos coletivos ainda fazemos frente, mas nos individuais ainda temos muito o que marchar.
Aliás, alguém ainda acredita no Guga?


luís felipe posted at 17:04


estamos nas olimpíadas
eu quero bater meu recorde.

vai um textinho em inglês sobre o que você precisa ser pra ser um republicano:
Jesus loves you, and shares your hatred of homosexuals and Hillary Clinton.

Saddam was a good guy when Reagan armed him, a bad guy when Bush's daddy made war on him, a good guy when Cheney did business with him, and a bad guy when Bush needed a "we can't find Bin Laden" diversion.

Trade with Cuba is wrong because the country is Communist, but trade with China and Vietnam is vital to a spirit of international harmony.

The United States should get out of the United Nations, and our highest national priority is enforcing U.N. resolutions against Iraq.

A woman can't be trusted with decisions about her own body, but multi-national corporations can make decisions affecting all mankind without regulation.

The best way to improve military morale is to praise the troops in speeches, while slashing veterans' benefits and combat pay.

If condoms are kept out of schools, adolescents won't have sex.

A good way to fight terrorism is to belittle our long-time allies, then demand their cooperation and money.

Providing health care to all Iraqis is sound policy, but providing health care to all Americans is socialism.

HMOs and insurance companies have the best interests of the public at heart.

Global warming and tobacco's link to cancer are junk science, but creationism should be taught in schools.

A president lying about an extramarital affair is a impeachable offense, but a president lying to enlist support for a war in which thousands die is solid defense policy.

Government should limit itself to the powers named in the Constitution, which include banning gay marriages and censoring the Internet.

The public has a right to know about Hillary's cattle trades, but George Bush's driving record is none of our business.

Being a drug addict is a moral failing and a crime, unless you're a conservative radio host. Then it's an illness and you need our prayers for your recovery.

You support states' rights, but Attorney General John Ashcroft can tell states what local voter initiatives they have the right to adopt.

What Bill Clinton did in the 1960s is of vital national interest, but what Bush did in the '80s is irrelevant.


luís felipe posted at 16:59


em um dia.


luís felipe posted at 16:59


ele tinha um machado de duas mãos
ela tinha um arco e vinte flechas
ele tinha um broquel
ela um bracelete
ele tinha dois chifres e uma argola no nariz
ela usava uma saia e batom
ele pensou em atacar
ela deu um beijo
ele se emocionou e retribuiu
ela teve nojo e saiu
ele chorou desconsolado
ela foi reclamar pro papai.


luís felipe posted at 16:53


ele e seus filhos colheram sete pés de alface
tiraram a terra
tiraram os vermes
lavaram
botaram em caixas
mandaram pra Porto Alegre
chegaram na frente do Mercado
começou a chover
quando viram as alfaces
tinha coisa pior que terra e vermes.



luís felipe posted at 16:47


naquela rua escura
eu só ouvia meus passos
tinha uma lua, um clima quente e ar seco
mas só ouvia meus passos
haviam cachorros perseguindo gatos
luzes dos postes acesas
e dos quartos apagadas
nenhum barulho de carros
nenhum olhar nas calçadas
nenhum letreiro ou vitrine
eu só ouvia meus passos
quando cheguei em casa
ouvi os latidos do cachorro
vi a luz se acender
vi o portão se abrir
"que bom que tu voltou"
depois do beijo
não importavam mais os passos.



luís felipe posted at 16:33


No último dia de chuva de 1968
Eu fui buscar um xis carne na lancheria
achando que íamos discutir
o protesto dos panteras negras na olimpíada
o salto do beamon
o último discurso do Daniel em Paris
a internacional situacionista
a frente ampla
o geraldo vandré
eram nove da noite e meus amigos
não estavam ali
só tinham dois brigadianos
e a tv ligada na Globo
"daqui a cinco minutos vai fechar"


luís felipe posted at 16:27


pois é, tem gente que não gosta do blogspot pela vizinhança, mas eu digo pra vocês que é uma atividade divertida perder alguns minutos apertando em "next blog" ali em cima. Eu, por exemplo, achei esse belo blog de poemas chamado sabor a sal, que merece um link em breve.


luís felipe posted at 10:50


aqui tem um texto muito bom dele pra quem se interessa pelo assunto do conselho de jornalismo.


luís felipe posted at 10:19


o MENOS importante na literatura é o sentido.


luís felipe posted at 10:15


Vocês têm acompanhado essa história do Conselho Federal de Jornalismo? Não é difícil, ainda mais pra quem discorda do governo federal: pelo menos aqui no RS, todos os veículos de imprensa desceram a lenha na idéia. Hoje, a Rosane de Oliveira na sua coluna em ZH inclusive tenta convencer os leitores de que é uma idéia que já está morta e foi ressucitada erroneamente pelo "presidente boquirroto".

A idéia do conselho realmente tem muitos defeitos. Discordo por exemplo do caráter deliberativo que deram à coisa: todo jornalista tem de pagar uma mensalidade pra ser fiscalizado e delatado pelos colegas caso faça algo errado. Daí para o controle estatal dos meios de comunicação é um passo. Mas creio que um conselho que faça a discussão da atividade de mídia no Brasil é fundamental. Não precisa ser um conselho autoritário e fiscalizador, mas um conselho que dê recomendações, exponha os jornalistas à análise pública. Porque a verdade é que ninguém faz isso no Brasil. Salvo raras iniciativas independentes, como o Observatório da Imprensa, não há uma atitude realmente significativa de discussão sobre a mídia. E o conselho, com todas suas imperfeições, se propunha a isso.

Recentemente ouvi uma entrevista da Ana Amélia Lemos com um dos idealizadores do conselho, acho que era o deputado Greenhalgh, mas não tenho certeza. A Ana Amélia, voz da RBS que obviamente é contrária ao Cenaj, perguntou: "Mas afinal, qual é a função que um conselho desses teria pra sociedade?" "Principalmente, a função de levar a público a discussão da atividade jornalística", respondeu o deputado. "Mas isso não pode ser feito pela própria imprensa?" perguntou ela. A mesma idéia da pergunta foi levantada pelo ministro Nélson Jobim, dizendo que a própria imprensa deveria fiscalizar-se.

O curioso nessa história é que parece um poder paralelo, como o tráfico de drogas: aqui o governo não põe os pés, é censura, nós decidimos o que é melhor pra nós. Sem querer, sem saber, ou não querendo dizer pra evitar comprometimento, os jornalistas de hoje estão submetendo os futuros colegas e eles próprios à seguinte situação: nós aceitamos ser comandados sem reservas pelos 15 patrões que temos no Brasil, mas não pelo governo. Quem acha que a subordinação da imprensa será evitada com a derrota da Cenaj, engana-se, é só analisar a Ana Amélia Lemos. Quem garante que dentro da RBS a opinião contrária à Cenaj é unânime? Garanto que não, pois a RBS é grande demais pra manter uma unanimidade. Mas eu aposto que ninguém viu UMA manifestação sequer contrária à opinião da empresa pelos seus jornalistas nos veículos de comunicação. Falam em liberdade de expressão, mas os jornalistas continuam amordaçados: se não é pelo governo, é pelo patronato, que reina absoluto na comunicação nacional.

Sendo que o governo pode mudar a cada quatro anos; os patrões se eternizam em dinastias nas empresas que comandam.


luís felipe posted at 09:56


terça-feira, agosto 17, 2004

No que tocou o primeiro sino, ouviram-se os grunhidos:
- Morra! Morra!

Vinham de uma voz demoníaca, sobre os ladrilhos da praça, as nuvens ressoavam num esforço pra calar, as flores murchavam não querendo ver, o vento ressoava, batia as janelas, mas os golpes de cutelo não desmentiam a atrocidade que ocorria nas barbas de todos.
- Morra! Morra, verme!

O padre ouviu e começou a rezar. Lá pelas tantas decidiu simplesmente fechar as portas e negar-se a saber daquilo. Era o destino que Deus firmou. Era da vontade de Deus que as pedras douradas estivessem no seu altar, como dádiva gloriosa, como oferenda dos mortais à sua magnitude. E mesmo Jesus Cristo sabia dos custos que tinham as oferendas para o Senhor, tanto que foi a maior delas todas, oferecendo sua vida pra salvar a humanidade. Um barulho de osso quebrando atravessou uma fresta da porta e doeu no sensível ouvido do padre. Mas lá de dentro, os grunhidos tornaram-se vibrações sem nexo.
- Morra! Morra!

A menina também sabia que o destino era selado. Sabia que seu pai era forte e não ia sucumbir. Fora humilhado por aquele cabra infeliz, sem posses nem terra, perdido no mundo dos falsos profetas. Casara com uma prenda virgem, pubescente, mas de beleza única e saudável como vaca leiteira. Teve com ela uma noite inesquecível, recuperando o tempo perdido, quando a esposa morta pela tuberculose lhe deixou duas filhas e um coração sem rumo. Escolheu então a prenda a dedo, pra não sofrer com doença até a morte, e deixar herdeiros gordos e orgulhosos da honra da mãe. A menina sabia de tudo isso quando viu o cabra infeliz deixar o quarto dela molhado de suor na manhã antes do feriado da padroeira. A prenda também sabia. Tanto que abaixou a cabeça e só levantou pra ver a cara de horror da filha, escondida do lado do armário, pra não ouvir os gritos do pai:
- Morra! Sangre até a morte, maldito!

O sangue já lavava o pulso, escorria pelo sovaco e espirrava na boca. Havia passado o efeito inconsciente, quase diabólico, cruel e inescrupuloso, do prazer no retalhe. Viu a sua roupa azul e branca suja e sabia que não tinha como lavar. Pagara o padre pra não falar nada, a polícia pra não ver nada, mas o corpo estava ali, destroçado em bifes, no meio da praça. Não sabia o que fazer. Chorou, mas sentiu o mundo olhando. Homens não choram. Rezou, mas sentiu Deus nos seus ombros e perdeu a voz quando falava, até não saber mais o que rezava. Ainda não sabendo, arrastou o corpo para a direção do cemitério, até cansar. Parou então meia-hora. Por ali havia um bar onde alguns homens se acabavam. Pensou em deixar ali. Viu um lugar perto dos barris. Deixou ali e tapou de feno, esterco. Não dava pra ver nem de perto. Quando saiu, passou na frente do bar, onde três homens o olhavam. Não tinha visto nenhum deles antes. Os homens olhavam, sorriam, olhavam de soslaio e desviavam. Ficou aterrorizado. Saiu correndo para casa, sem saber que iria fugir de si mesmo pelas próximas décadas.


luís felipe posted at 03:04


domingo, agosto 15, 2004

como os posts de férias dos fabicanos andam amargos...

especialmente os meus!

mas já vou mudar isso.


luís felipe posted at 23:43


Eu quero falar daquilo que desejo
mas se desejo
não posso fazer uma lista de supermercado
eu desejo batatas, cenouras e morangos
tudo na mais perfeita ordem
com preços, prateleiras e prioridades.

Teria de falar com o coração
Mas ele não consegue falar
só bater.
e bate muito forte, quando penso no que desejo
e sinto meus olhos fecharem, meus pêlos arrepiarem
meus ombros relaxam e minha boca enche d'água
e começo a sentir o cheiro, os músculos ansiosos
os calafrios pela coluna e a garganta
então abro os olhos e tudo que vejo
é um papel em branco
onde as letras lutam contra o impossível.

Penso em como é bom saber dizer
Mas sei, é o que dizem
A língua materna sempre me dá notas altas.
Penso que não sinto de verdade
O que seria uma inverdade
Um mal entender das reações do corpo.
Paro de pensar e ouço uma música
Como pode, ela me exprime por inteiro!
Cada acorde, nota, sustenido
Versos da letra, a métrica, perfeita!
Vou falar dela, até ensaio algumas letras
Então lembro-me do sábio violonista:
"Porque fala do que não entende?"

Talvez seja isso, não entendo de mim mesmo
Não entendo minha emoção
Não transcrevo minha inspiração e quando o faço
Os mestres dizem
Que não foi dessa vez.
A impressão então é constante:
Quando muito digo, nada sei
Do que mais falo, pouco entendo.

Talvez não seja a hora
De perder tempo escrevendo.






luís felipe posted at 23:21


e a penicilina, a maior parte da dor já passou e já consigo comer. Estou 80%, digamos. Obrigado pelas palavras de apoio de vocês.

Uma dica: não confiem muito em clínicos gerais.


luís felipe posted at 16:10

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