YOUR TITLE HERE

terça-feira, dezembro 13, 2005

ainda há muitas pastelarias a desvendar, se o tempo colaborar farei desta uma coluna diária. Por enquanto vamos destrinchar os mistérios pastélicos da
[avenida Otávio Rocha]
começando a viagem pelo
[Tim's].

O Tim?s é uma daquelas lancherias estilo butiquim que existem por todo canto em bairros como o Sarandi e o Leopoldina, mas não são tão usuais no Centro. Existem várias na zona entre a Otávio Rocha e a Praça Parobé, algumas delas servem pastéis. Como o Tim?s, uma portinha 3x3 aberta entre o Banrisul e um revela-fotos qualquer.

Meu estágio era ali perto, conhecia a lancheria por ter o Ice Tea mais barato da zona ? 1,70, mas me vendiam até por 1,50. Numa das minhas tantas idas ao Beira-Rio depois do serviço, passei ali para encher o bucho antes da farra alcóolica pré-jogo. O pastel também tem uma massa quadrada, com um grande defeito: nunca parece feito na hora, pois o pastel não está gordinho o suficiente para não saber onde está o recheio, pelo lado de fora.

O guisado é molhadinho, mas carregado de sal e bastante gorduroso. Usei no mínimo uns quatro guardanapos para comer. É feito com azeitonas sem caroço e provavelmente tem meio ovo cozido dentro (sim, é muito ovo). O preço é bom ? 1,80 ? mas mais caro que o pastel da Vida Nova, que é melhor. Serve para uma fome implacável. Nota 6, por que a bebida é barata.

não muito longe dali temos o
[Café Haiti].

A fome de pastéis é algo que aparece com frequência em mim, especialmente quando estou cansado dos sanduíches gelados do Come-Come. Uma dessas fomes apareceu vinte minutos antes de chegar no escritório. Sem muita opção, apelei para o Café Haiti, que sempre tem coisinhas muito boas, além de uma organização estilo ?café-de-balcão? irresistível para um jornalista de espírito.

(Parêntese: não são poucos os saudosistas na faculdade que lamentam os tempos das redações com barulho de máquina de escrever e cigarro. Provavelmente os mesmos que criaram a cultura de jornalismo = café. Um café jornalístico, entretanto, é aquele de balcão, uma pausa para a reflexão entre um parágrafo e outro. O Café Haiti era uma boa fuga nesse sentido ? eu não estava fazendo jornalismo, mas o lugar me ajudava a fingir.)

Confiei portanto no lugar e pedi um pastel. Quando recebi da atendente, não acreditei que aquilo era de fato um pastel. Ela marcou na minha comanda: sim, era verdade. A massa era escura, como aquelas massas de sonho, mole e com vestígios de gordura. Estava velha. Dei duas mordidas e pensei em abandonar. Tive coragem: já passei por coisa pior, como o molho de mondongo da Lancheria do Parque.

Fui de fato até o fim. O pastel é horrível. O guisado é de segunda, não tem azeitonas, apenas ovo. Não lembro o preço, não era um real, mesmo se fosse não valeria a pena. Tive o cuidado de comer todo ele antes de tomar o café, ainda comprei um negrinho para tirar o gosto. Lamentável um lugar tão bom dispôr salgado tão ruim. Nota 3, por caridade.


luís felipe posted at 23:51


segunda-feira, dezembro 12, 2005

inauguro pela primeira vez uma seção formal neste blog, agora que voltei a escrever sobre ele. O motivo é mui simples; dia destes, no mercado público, peguei-me a analisar um pastel de um bar qualquer daqueles, e a compará-lo com os outros pastéis que comi recentemente. Como pastéis demais, em muitos lugares diferentes, pensei certo dia em elaborar um ranking dos melhores da cidade. Por que não criar uma coluna sobre isso, em algum lugar qualquer? Que seja este lugar meu blog, então. Será minha primeira coluna, e gastronômica, apesar dos meus 61 kg.

Pois, a pastelaria que inaugura a seção hoje é a
[pastelaria Vida Nova]
localizada no Mercado Público, do lado do Gambrinus, defronte ao fim da Borges.

Os pastéis do Mercado, nas lancherias que costeiam o Largo Glênio Peres, são pastéis de acompanhar chope. Pequenos, torrados, muito quentes, de recheio delicioso porém caros, e não matam a fome. Inclusive existe uma lancheria que faz pastéis de siri inacreditáveis, mas sempre com esse inconveniente do preço e do tamanho.

Hoje estava a fim de algo que matasse a fome, imaginei que teria de sair dali para procurar algo. Achei por uma daquelas portinhas mágicas esta pastelaria, Vida Nova, que oferecia um carne-ovo-azeitona + café por 2,90. Confiei no taco deles quando vi as modalidades - médios, especiais 20x22 e pastéis tamanho xis (!). Pedi um médio, com Ice Tea, carne-ovo-azeitona.

É feito com aquelas massas quadradas e tem um recheio bem interessante. O guisado de dentro é bem molhadinho, embora não gorduroso. Tem de fato uma fatia grande de ovo cozido dentro, o que conta pontos embora seja bastante comum. A peculiaridade é que tem uma azeitona inteira dentro, dessas com caroço. Isso seria ruim não fosse o fato das azeitonas com caroço serem muito mais gostosas que as outras. É inconveniente tirar um caroço, claro, mas vale pelo sabor. A mostarda é igual à todas as outras do mercado - politicamente correta. Nem muito forte, nem muito fraca, meio aguada mas consistente e com ervinhas. Sem graça, mas uma boa companhia.

Destaque para o atendente, que perguntou se eu queria um pastel MUITO quente (feito na hora) ou mais ou menos (para devorar mesmo). Pedi um mais ou menos pela fome.

Claro que todos sabemos que a fome é a melhor das cozinheiras, eu não comia desde o almoço, eram 19h e tinha acabado de comprar quitutes na banca do holandês. Ainda assim, por ser o único pastel "mata-fome" do Mercado Público e ser de boa qualidade, merece uma nota 8.

Em breve, mais sobre pastéis e afins. Como o do Tim e o do Café Haiti, vizinhos da Otávio Rocha.


luís felipe posted at 21:21


sentia falta de escrever em blogs, "pouca coisa para muita gente", como diria a agora escritora Julia Dantas. Muito bonito o coquetel inclusive, passei o constrangimento de comer canapés na frente da Celia Ribeiro, a mestre em etiqueta. Adorei as dedicatórias das meninas, os contos também, recomendo a leitura mas não vi dos outros.

nem lembro a última vez que dissertei sobre minha vida em um blog, mas com certeza era outra pessoa na época. Não tinha sido demitido de um estágio pela primeira vez (graças a Deus), não tinha namorado uma pessoa tão incrível, não tinha rodado voluntariamente numa cadeira nem tocado bateria de verdade em público. Também não conhecia nem Arcade Fire nem Radiohead (There There, música que ouço agora, ilustra o título). Minha mãe não estava à procura de um namorado (não que eu soubesse, ao menos) e eu nunca tinha ajudado a produzir um videoclipe. Meu time não estava confirmado na Libertadores nem tinha tido o seu campeonato usurpado pela máfia russa.

Várias coisas mudaram, não? Inclusive a vontade de postar e ler blogs. O passado batia forte na minha cabeça, resolvi recolher a minha vida pessoal apenas para mim e as pessoas próximas, talvez nem as pessoas próximas. "Falar muito para poucas pessoas", frase da mesma Julia Dantas. Também escrevia no superfície: espero não ter perdido a longa dissertação sobre Negresco Ice Mint e Club Social Mel e Cereal (afff).

Acho que vou me mudar, a partir do ano que vem. Não de casa: talvez minha sina seja permanecer no Sarandi por mais vinte anos. Vou mudar de domínio. Já criei um template aqui, e na verdade sempre quis mudar de domínio - nunca gostei muito do Lupus 1985.

Estou totalmente de férias e tenho um almoço para fazer amanhã. Se conseguir chegar aos pés da janta que minha amada fez no sábado, estarei bem.


luís felipe posted at 12:20

profile



links



tagboard



archives



credits.