quinta-feira, outubro 20, 2005
Um dia
de sol
ele resolveu olhar para ele de outra forma.
colocou os óculos e respirou o ar frio
dos jacarandás
sentiu algo como vida
no calor das sardas que apareceriam
no dia seguinte
em seu rosto iluminado de amarelo.
sentiu algo como amor
e ofereceu-lhe o casaco
arrepiou e ficou envergonhado
com uma ou duas palavras de elogio
falaram sobre tudo de útil
e inútil
viram uma meia dúzia de obras de arte
espalhadas por um prédio qualquer
pedaços do coração do artista
maximizados
em matéria
minimizados em alma
encostados
na costa do lago.
por que um coração pode ser maior que a cidade
que o prédio
que o cais
que o diálogo
mas não maior que o intercâmbio
e a sincronia
de dois corações e almas
que sorriem, uns pros outros
trocam o calor de um abraço
e um mate
e uma espinha a mais no rosto
alimentada de suor.
o corpo pesa
mas o peito é aberto
a alma é leve
um pássaro, quando voou pela primeira vez
fez o mesmo
saiu da sua casa
despiu-se da casca
faz suar as penas
olhou para o céu
e disse:
"tu agora és meu lar".
em um dia
de sol
iluminado pela plenitude
de almas libertas
do jugo implacável
da rotina
e do não fazer por gosto
ele resolveu dizer para ele
resolveu dizer para si
que o amor
estava em algum lugar
sob a pele
que banhava todo o seu corpo de liberdade.
olhou para ele de outra forma
aquela forma
indescritível
da compreensão
e do sentimento
olhou pra ele e disse
"sou tu"
encontrou pela primeira vez
a pessoa mais desejada por todos no mundo.
luís felipe posted at 18:03