quarta-feira, janeiro 05, 2005
Diante da lei
Diante da Lei está um guarda. Vem um homem do campo e pede para entrar na Lei. Mas o guarda diz-lhe que, por enquanto, nao pode autorizar lhe a entrada. O homem considera e pergunta depois se poderá entrar mais tarde. -"É possivel" - diz o guarda. -"Mas não agora!". O guarda afasta-se então da porta da Lei, aberta como sempre, e o homem curva-se para olhar lá dentro. Ao ver tal, o guarda ri-se e diz. -"Se tanto te atrai, experimenta entrar, apesar da minha proibição. Contudo, repara sou forte. E ainda assim sou o último dos guardas. De sala para sala estao guardas cada vez mais fortes, de tal modo que não posso sequer suportar o olhar do terceiro depois de mim".
O homem do campo não esperava tantas dificuldades. A Lei havia de ser acessível a toda a gente e sempre, pensa ele. mas, ao olhar o guarda envolvido no seu casaco forrado de peles, o nariz agudo, a barba à tártaro, longa, delgada e negra, prefere esperar até que lhe seja concedida licença para entrar. O guarda dá-lhe uma banqueta e manda-o sentar ao pé da porta, um pouco desviado. Ali fica, dias e anos. Faz diversas diligências para entrar e com as suas súplicas acaba por cansar o guarda. Este faz-lhe, de vez em quando, pequenos interrogatórios, perguntando-lhe pela pátria e por muitas outras coisas, mas são perguntas lançadas com indiferenca, à semelhança dos grandes senhores, no fim, acaba sempre por dizer que não pode ainda deixá-lo entrar.O homem, que se provera bem para a viagem, emprega todos os meios custosos para subornar o guarda. Esse aceita tudo mas diz sempre: -"Aceito apenas para que te convenças que nada omitiste".
Durante anos seguindos, quase ininterruptamente, o homem observa o guarda. Esquece os outros e aquele afigura ser-lhe o único obstáculo à entrada na Lei. Nos primeiros anos diz mal da sua sorte, em alto e bom som e depois, ao envelhecer, limita se a resmungar entre dentes. Torna-se infantil e como, ao fim de tanto examinar o guada durante anos lhe conhece até as pulgas das peles que ele veste, pede também às pulgas que o ajudem a demover o guarda. Por fim, enfraquece-lhe a vista e acaba por não saber se está escuro em seu redor ou se os olhos o enganam. Mas ainda apercebe, no meio da escuridão, um clarão que eternamente cintila por sobre a porta da Lei. Agora a morte esta próxima.
Antes de morrer, acumulam-se na sua cabeca as experiências de tantos anos, que vão todas culminar numa pergunta que ainda não fez ao guarda. Faz lhe um pequeno sinal, pois não pode mover o seu corpo ja arrefecido. O guarda da porta tem de se inclinar até muito baixo porque a diferenca de alturas acentuou-se ainda mais em detrimento do homem do campo. -"Que queres tu saber ainda?",pergunta o guarda. -"És insaciável".
-"Se todos aspiram a Lei", disse o homem. -"Como é que, durante todos esses anos, ninguém mais, senão eu, pediu para entrar. O guarda da porta, apercebendo se de que o homem estava no fim, grita-lhe ao ouvido quase inerte. -"Aqui ninguém mais, senão tu, podia entrar, porque só para ti era feita esta porta. Agora vou me embora e fecho-a".
luís felipe posted at 17:46
Eu gosto de sofrer.
em breve o site, a comunidade no orkut e a sede oficial.
luís felipe posted at 17:43
talvez a melhor coisa que já surgiu no rock gaúcho nos últimos tempos.
luís felipe posted at 17:38
repórter: Você se considera um metrossexual?
Rod Stewart, o novo Sinatra: Sim, eu sou. Gosto de comprar guardanapos e todas essas coisas para preparar a mesa. Então suponho que eu seja um metrossexual.
foi a definição mais tosca para metrossexual que eu já li.
luís felipe posted at 11:22
terça-feira, janeiro 04, 2005
- Felipe!
(eu chegando em casa às 22h, lembrando que tinha dormido apenas duas horas na noite anterior.)
- pega esse telefone!
(não foi só o telefone, mas também a chave, as trakinas de morango que tinha esquecido no carro, a gabriela chorando e um papelzinho do correio para pegar uma encomenda.)
- A mãe tá desesperada atrás de ti! Ligou umas duzentas vezes, querendo saber onde tu tava, o que tu tava fazendo, dizendo que não ia mais viajar porque tu fica aí largado pela rua, como é que ela ia te deixar sozinho...
(realmente eu tinha saído de casa às 12h e só voltado dez horas depois. Mas tinha coisas a fazer de tarde e uma aventura pra mestrar de noite, para o aniversariante Renan e sua múmia)
- Então é bom tu ligar pra ela o mais rápido possível!
(em casa, celular e DDD bloqueados. Eu louco de fome saio em fúria bárbara atrás de um cartão telefônico. Quando consigo, ela atende tranquilamente, perguntando como eu tô e se consegui pagar as contas que tinha pra pagar.)
mãe é mãe. Filhos um mês sozinhos em casa parecem um perigo enorme.
luís felipe posted at 13:17
dois amigos meus vão casar.
luís felipe posted at 13:02
segunda-feira, janeiro 03, 2005
voltei, um dia antes do combinado, pois a carona com o meu irmão custa menos do que a passagem. A perspectiva para janeiro é aproveitar o FSM e tirar de uma vez por todas a carteira de motorista. Não gosto muito de adiar as coisas mas isso está tomando proporções assustadoras - falo desde julho que vou fazer, vou fazer e nada.
Floripa é um lugar maravilhoso para pôr os parafusos no lugar, avaliar o que fica de bom ou ruim e respirar fundo pois novos desafios nos aguardam. O clima foi quase perfeito, não fosse o sábado nublado e o sol escondido em quase todos os finais de tarde. Mas floripa é assim, o clima, os morros, etc. Passei as festas com a mãe, a tia teresa (aquela do celular) e a família do Geraldo, amigo de infância das duas, que consistia no próprio, sua esposa, sua cunhada e dois piás, o filho de 12, o sobrinho-neto de seis. Senti-me um peixe fora do aquário, mas dane-se, esquecer a boemia por alguns dias é bom também. Eles todos seguirão viagem para São Paulo, Ribeirão Preto e arredores. Eu decidi voltar pra PoA, com a casa sozinha por um mês.
Que beleza.
Ainda há a perspectiva de voltar em fevereiro, com o Paulo, vamos ver se a grana vai dar. Eu posto às seis e onze da manhã porque cheguei de viagem às cinco e descobri que perdi totalmente o sono, ainda que tenha vegetado por umas boas horas na freeway e na estrada do mar. Tenho coisas a fazer hoje, nü-year comin', problems changin'. Não há mal que perdure nem há bem que não se acabe.
dois aliases:
- devorei o On the Road, do Kerouac, um dos livros da lista de não-lidos feita lá em julho. O livro é viciante, fluido, contagiante. Não é a toa que Bob Dylan fugiu de casa após lê-lo. Também fugiria, se estivesse nos EUA e nos anos 60. Recomendo para aqueles que não se importam muito com estilo literário ou histórias com começo e fim, mas pretendem ler boas histórias de caronas, mulheres, drogas e jazz.
- hoje farei minha última tentativa de conseguir a barraca do meu irmão a fim de ir para Três Coroas. Tenho de fazer também uns cálculos monetários e tal. Vontade não falta.
luís felipe posted at 06:11