sábado, agosto 07, 2004
- cozinhei todos os dias da semana, menos hoje, pois me reservei o direito de dormir até as 12h. Aí minha mãe chega em casa e diz que vai comprar algo pra mim porque "faz dias que eu não como nada decente". Bondade da parte dela, apesar de ter subestimado completamente meus dotes culinários.
- estou vendo os Simpsons todos os dias. Não lembrava como era engraçado.
- minha irmã alugou uma casa e quer comprar uma geladeira, ajudarei nisso. É um lugar bom, seguro, limpo e aconchegante, apesar da escada perigosa demais pra pequena. Espero, realmente espero, que ela escreva certo por linhas tortas.
- tostines sobre o Inter: o Joel é o treinador porque a direção é incompetente ou a direção é incompetente porque o Joel é o treinador?
- vi a Tia Vilma na Banca do Holandês - Mercado Público - acompanhada de um guri, devia ter uns 12 anos. Ela gosta de produtos de qualidade.
- Travessia na voz da Elis é uma música linda, linda, linda.
luís felipe posted at 05:26
bom, a pedidos - inclusive de pessoas que eu não sabia que frequentavam essa página, ora veja - continuarei.
A terça feira do city tour reservava uma agradável surpresa: um show de tango. Estava determinado a não assistir, pois acreditava não ter a menor graça. A Manu, que já esteve lá, me recomendou o show; na viagem, o guia disse que parecia um espetáculo da Broadway. Fiquei curioso e decidi ver, até pra acompanhar a mãe, que provavelmente não gostaria de ir sozinha.
É um espetáculo maravilhoso. Não apenas pelos dançarinos, exibindo sua técnica incrível, os jogos de pernas, a velocidade, a sincronia. As músicas são muito bonitas, as duas orquestras de tango são boas - a segunda, do Ernesto Franco, é fantástica, com suas cinco gaitas, seus quatro violinos, seu contrabaixo e seu piano. O cantor principal, Fernando Soler, é bastante carismático. Não são as melhores interpretações que já ouvi das músicas, mas são as mais vivas - nunca as tinha visto apresentadas ao vivo.
Tinha também jantar, vinho, fomos levados e buscados pelo ônibus - enfim, um programa de luxo.
Lá pelas tantas, Soler começa a chamar pessoas no palco pra dançar, depois de cantar A Media Luz, La Cumparsita, El Día que me Quieras e outros tangos famosos. CHamou muita gente; pessoas do Chile, do México, dos Estados Unidos, até da Indonésia, estavam lá presentes. Chamaram sete bailarinos profissionais, uma das mulheres da excursão subiu pra dançar com um deles. Chamaram sete bailarinas, inclusive a cantora principal do show, que tem uma irmã gêmea. Que por sua vez, me chama pro palco. Eu viro de costas, achando que não é comigo, o que provoca muitas risadas por parte de todos - tinha spotlight em cima de mim e tudo. Quase morri de vergonha, mas fui. Nervoso, não sabia dar dois passos, ela foi me guiando. Foi um momento, digamos, histórico. O mais curioso é que em Caminito, minha mãe queria que eu tirasse uma foto com uma dançarina de tango, e eu não quis, sei lá, não conseguia imaginar minha cara com uma mulher daquelas. Senti vergonha, a bem dizer. Como punição, fui obrigado a pagar aquele vale na frente de centenas de pessoas do mundo todo. Que fantástico.
Minha mãe esqueceu a máquina e não tirou fotos. Uma lástima que não tenhamos registros daquela noite.
Na manhã seguinte, havia um passeio pelo Tren de la Costa e pelas ilhas do delta do Paraná, algo semelhante ao Delta do Jacuí por aqui. Chovia. Nós - eu e minha mãe - percebemos que não tinha a menor graça um passeio de barco com chuva e resolvemos cancelar, ainda bem que deu, apesar de ser na última hora. Tiramos então a manhã para ir ao Teatro Colón.
O Teatro é muito luxuoso. Tapetes vermelhos irretocáveis, escadas de mármore, bustos por todos os cantos, um chão feito de pedacinhos de pedra que foram colocados um por um. No saguão, placas registrando a presença do Balé Bolshoi, Enrico Caruso, Mikhail Baryshnikov. Antes, fomos conhecer as oficinas, onde o pessoal dá duro pra manter o nível dos espetáculos. Os armários do figurino são algo de grandiosos - milhares de roupas e sapatos podem ser encontrados por ali. Lá pelas tantas, acompanhamos o ensaio dos bailarinos e da Filarmônica de Buenos Aires. Claro que lembrei da Ju e da Ísis, que ficariam emocionadas vendo aquilo.
A Ju, especialmente, se emocionou quando disse que eu vi um Stradivarius; ele estava lá, à exposição junto com quatro outros violinos, até tirei uma foto.
Eu estaria sendo chato se descrevesse toda a luxúria do lugar - pra vocês terem uma idéia, o teto da sala dos espelhos que dá acesso à cabine presidencial é folhado a ouro. O palco principal tem 40 metros de altura, há sete andares de galerias pra quem queira ver os espetáculos. Enfim, o Teatro por si já é um espetáculo. Bem como uma prova da disparidade entre o que tem a classe alta e o que tem a classe pobre do país. No próximo post, falarei sobre a visita que minha mãe fez à Mabel, filha de uma antiga amiga dela e vocês entenderão o porquê dessa abordagem.
luís felipe posted at 05:00
quinta-feira, agosto 05, 2004
se ninguém estiver lendo os relatos, pode deixar que eu paro.
luís felipe posted at 01:54
estou ocupando meu tempo fazendo tarefas de dona de casa - cozinhar, lavar roupas, etc. - jogando Championship Manager, lendo Crime e Castigo e enlouquecendo com minha irmã e minha mãe, portanto não tenho tido saco pra atualizar o blog. Mas meus leitores fantasmas exigem que eu continue comentando a viagem e assim o farei.
Como eu disse antes, o segundo dia de viagem envolvia um city tour por pontos turísticos da cidade. Acordamos cedo e embarcamos no micrônibus. O centro de Buenos Aires, planejado por urbanistas franceses, constitui-se num tabuleiro de xadrez (todas as ruas são retas, com exceção das nos arredores do porto e das duas diagonais; todas as quadras são retangulares) então pra se perder por ali é um doce. Experimentamos isso no 3º dia, quando fomos atrás da rua Lavalle, ficava três quadras do hotel na direção contrária do porto, e só descobrimos isso já quase no porto.
Voltando ao tour, o guia correntino era Eduardo, um baixinho simpático com um caprichado portunhol. Na banda que demos pela cidade, fomos apresentados ao obelisco, que inevitavelmente me lembrou aquela coluna do Veríssimo em que ele faz a relação fálica do obelisco com o seu país, já que todo país tem o seu e sempre como monumento de grande orgulho. É o marco zero do país, lugar onde foi hasteada a primeira bandeira argentina. Aliás, bandeiras não faltam pela capital federal, até as casas hasteiam as suas. Passamos pelo Teatro Colón, que posteriormente visitamos; detalhes em breve. Dali fomos até o Congresso Nacional, talvez o prédio mais lindo que já vi. Aqui tem uma foto. A coloração cinza da fachada, em vários tons, a singeleza e o detalhismo das colunas, as figuras à volta constituem uma harmonia maravilhosa com o ambiente. A praça do congresso é toda pichada e adesivada, com protestos contra o governo - não condeno isso, pois apesar de tudo é uma manifestação popular.
Saindo dali fomos à Plaza de Mayo, outro foco das ações dos piqueteros. Naquele dia estavam acampados na frente do palácio do governo (a Casa Rosada, que curiosamente não tem a fachada frontal virada para a praça, e sim para o rio da prata) veteranos da guerra das Malvinas, exigindo seus direitos como heróis da pátria. Na Catedral Metropolitana, que fica na mesma praça, existe uma chama que nunca se apaga, em homenagem ao herói da independência José de San Martín e ao "soldado desconhecido", provavelmente um fiel escudeiro do guasca. Quando dizem que "é um país que sabe valorizar a sua história", realmente não estão brincando.
Depois disso fomos em direção ao bairro de La Boca, no sul humilde da capital federal. Bairro de forte influência italiana, segundo o guia. Realmente os meandros do lugar dariam um bom cenário para Ladrões de Bicicleta ou Cinema Paradiso, as ruas estreitas, as casas sempre próximas com as varandas voltadas para a rua, os ladrilhos. La Boca é um lugar bem aconchegante. No caminito, nada demais, senão as casas coloridas, as pessoas fazendo poses dançando tango, o belo artesanato sendo vendido e o delicioso humor dos argentinos. Lá pelas tantas aparece numa das tantas sacadas do Caminito três figuras - Maradona, Eva e Juan Perón - como se eles fossem familiares ao lugar. Há três minutos dali, La Bombonera, o mítico estádio do Boca Juniors, que fica numa quadra realmente muito pequena (menor que a dos Eucaliptos) o que justifica as arquibancadas íngremes e a proximidade do campo. A curiosidade futebolística dá conta que River e Boca eram clubes do mesmo bairro, mas lá pelas tantas o River mudou-se pro requintado bairro de Nuñez onde construiu o seu Monumental - a contar pelo lugar onde foi construído o estádio do Boca, realmente é uma boa justificativa. O arredor do estádio também é uma atração à parte: há uma loja de artigos do Boca Juniors que toca músicas relativas ao Boca em alto volume o DIA INTEIRO. Imagine ser vizinho da loja.
Saindo de lá, passamos pelo Puerto Madero, uma área muito luxuosa da cidade, mais ou menos cinco vezes mais luxuosa que o Moinhos de Vento; lá tem até um cassino flutuante, que depois comentarei brevemente sobre. Aportamos no parque Palermo, um parque um pouco maior que a Redenção, tão belo quanto e um pouco melhor preservado. As mulheres argentinas usam aquele lugar como praia e tomam banho de sol de biquíni no verão. Isso que a temperatura não chega aos 30 graus - um carioca iria morrer de rir.
luís felipe posted at 00:37
terça-feira, agosto 03, 2004
(resta aqui meu protesto contra a tosquice do Terra, que não permite que as fotos do álbum da turma sejam copiadas em blogs. Mas eu divulgo o site, pra quem quiser: http://fotos.terra.com.br/album.cgi/lejc . A foto do título está em fabicanos soltos, mas recomendo todas)
luís felipe posted at 01:27
Bom, comecemos pela excursão.
Sim, eu fui de excursão, pois é bem mais em conta. O ônibus parecia uma caravana pro show do Roberto Carlos; muitas pessoas de meia idade, algumas senhoras idosas, mas praticamente só fêmeas. De machos, eu e um guri de dezesseis que foi à BsAs pra encontrar a namorada que conheceu pela Internet. Ele foi com uma outra guria (irmã? prima? não sei) e nós três, ao lado de duas gurias caxienses de 11 e 14 anos, éramos os mais jovens da viagem. Não nego que no princípio tive uma certa aversão pelas pessoas e pelas piadinhas sem graça, mas isso passou com a chegada na cidade.
Entrando na Capital, óbvio que queria olhar tudo o que se passava. Mesmo as vitrines das lojas mais obscuras, me fascinavam porque estavam em espanhol. Minha primeira viagem ao exterior, camaradas, não há como não se encantar por isso. Esse impacto inicial eu já tive quando passamos a fronteira da paz Livramento-Rivera, nos altos da madrugada, foi emocionante ver a primeira placa em espanhol, acho que era de uma casa de carnes.
Pisando em terras portenhas, de primeiro fomos à Calle Florida, da qual minha mãe tinha lembranças das lojas de couro e dos cachemires que vira nos idos de 1978, última vez que pisara na cidade. A Calle Florida é como uma Rua da Praia, toda calçada, sempre muito movimentada e cheia de lojas. Não há camelôs nas calçadas como aqui; em compensação, os vendedores não desistem de te encher o saco enquanto tu não entra numa loja, pelo menos pra ver os conteúdos. Ainda mais se tu é turista. Será que eles ganham pra atrair as pessoas, tão somente? Não sei, nada entendo de comércio. O fato é que minha mãe olhou muito e obviamente nada comprou, como de praxe, e eu olhei outro tanto sem nada levar, ainda que numa das passagens eu tenha visto o que seria minha compra com certeza, uma camiseta de um time local. Estava com o casaco de abrigo do Inter emprestado pelo meu irmão, o que causou reações de dois colorados com quem cruzei. "Dá-lhe Inter!" "Dá-lhe!". Quem disse que o colorado não é internacional?
O hotel tinha um atraente pub. Lamento com ardor o fato de não ter bebido uma cerveja sequer no lugar. No site do hotel constava que ali estavam as melhores cervejas da Argentina, exagero; existiam vários pubs até melhores por perto, como o Kilkenny. Mas também não os visitei, por que tinham coisas melhores pra fazer e também por falta de companhia. Ah, se a Fabico ficasse por ali...lembro também de ter tomado meu primeiro banho de banheira desde a primeira infância, o que causou alguns transtornos (como diabos eu lavo a cabeça nessa água parada? ainda bem que não tenho mais cabelo comprido...) mas foi muito bom. A seguir, desabei na cama. 19 horas de viagem não é fácil.
No dia seguinte, acordar cedo para um City Tour. Puerto Madero, Parque Palermo, Recoleta, La Boca e Caminito, Bombonera, monumentos, Plaza de Mayo e Casa Rosada, Congresso Nacional, não exatamente nessa ordem. Depois falo mais sobre eles todos, até porque nada demais vai acontecer nos próximos dias, então posso me ocupar a semana falando sobre a viagem.
música altamente recomendável: Miles Davis - um CD meu prestes a ficar inutilizado, que recuperei pra ouvir e não mais parei, desde as 23h - e Joss Stone. Nunca falei sobre ela aqui, mas ela merece ser citada. Parece uma atriz conhecida de filmes americanos (aquela que fez 10 coisas que odeio em você, sabem?) mas tem uma voz espetacular, aveludada, maravilhosa. Grande revelação da música soul. E tem 17 anos, é mais jovem que eu! Estou ficando velho.
isso é uma das coisas às quais estou me dedicando nas férias. Junto ao currículo do meu irmão. Talvez eu compre Crime e Castigo amanhã.
luís felipe posted at 00:47
segunda-feira, agosto 02, 2004
Estou em Porto Alegre.
Me demoro a atualizar o blog porque há muita coisa pra contar. Muita coisa que gostaria de contar mais detalhadamente, com mais informações.
Me apresso a dizer que a capital federal Buenos Aires é uma cidade riquíssima em cultura, frio, cafés, empanadas, bifes gigantes, arquitetura luxuosa, lugares pra se visitar, quadras retangulares, estádios de futebol, avenidas largas e aquecedores.
Me apresso também a dizer que é dona de uma desigualdade social que admito nunca ter visto.
Contarei tudo homeopaticamente nesse lugar. Sobre o show de tango, sobre os lugares que visitei, sobre as coisas que vi.
Vai ter bastante coisa pra ler.
a coisa mais linda lançou um blog - http://jogodocontente.blogspot.com - que em breve será linkado.
e não fiz minha matrícula, se querem saber.
luís felipe posted at 01:35