quinta-feira, abril 29, 2004
estou eu inserido na comunidade orkut. Não que isso seja uma grande coisa, mas estou dizendo porque acho no mínimo curioso a resistência que essa comunidade causa mesmo em membros desta. "Ah, isso é uma banalidade, vou até sair", me disse a Julia. Agora abri outro blog e li "E eu achava que era coisa de pós-adolescente nerd."
Acho que existe um certo desejo de pertencer a uma casta intelectual que jamais se renderia a futilidades baseadas em teclados e mouses. Seria bem melhor pertencer a uma academia de letras, por exemplo, ou ser uma personalidade blasé que tivesse milhões de livros publicados e não precisasse ser simpático com ninguém, nem ser amigo de ninguém pela internet, simplesmente porque uma personalidade não precisa dessas coisas de idiotas solitários e inúteis.
Eu sinceramente gosto desse tipo de iniciativa. Comunidades de internet, fóruns, amigos, debatendo coisas inúteis mas também compartilhando idéias que ficam dentro de ti sem que tu sequer imagine que alguém também pense. E conhecer esse alguém que pensa como tu, imagina que coisa legal...não entendo porque algumas pessoas se recusam a isso, como se fosse algo que não pertencesse à sua classe. Só que essa idéia não é nova.
Alguns exemplos: há um século, quando foi fundado o Sport Club Internacional, as sociedades alemãs de Porto Alegre encaminharam um ofício aos seus sócios para que não pertencessem àquele clube fundado por estudantes e simpatizante de mestiços. Mesmo o Inter tinha expressar recomendações para que não se juntasse aos negros do Mont' Serrat da Liga da Canela Preta, pois nunca que a imagem do clube poderia ficar maculada por aqueles macacos irracionais e sujos. Esse embargo se quebrou no Inter ainda na década de 20, com a contratação de Tupan, e no Grêmio em 1954 com a vinda de Tesourinha, pois já não havia mais tempo para segregações.
Os programas musicais de TV norte-americanos traziam na sua programação grandes ídolos do cancioneiro lá pela década de 40, como Nat King Cole, por exemplo. O padrão desses programas era um crooner trazendo consigo uma orquestra, onde cantavam músicas românticas, sempre vestidos com trajes de gala, para uma platéia que se deliciava ao som de "Unforgettable" e "Cheek to Cheek". Quando Chuck Berry e Jerry Lee Lewis apareceram com aquela música rápida, visceral e dançante, foram vários anos de resistência desses programas em adotar o novo estilo musical, pois era uma afronta aos bons costumes aquela música "demoníaca". O mesmo, em diferentes proporções, ocorreu com os Beatles e Elvis Presley (como poderiam mostrar um jovem bonito como ele dançando com o púbis, meu deus, que horror). Hoje todas as músicas que aparecem na TV norte-americana são ao menos influenciadas pelo rock 'n roll.
Bukowski, ídolo de muitos, chocou a sociedade com seus relatos escatológicos; Dostoiévski foi execrado pelos críticos literários na Rússia por sua escrita sufocante; Tarantino, junto a Oliver Stone e suas obras "Platoon" e "Assassinos por Natureza", foi jogado aos leões por levar ao cinema a cultura da violência; Salman Rushdie foi perseguido pelo totalitarismo islâmico graças aos seus Versos Satânicos; ou seja, a inquisição cultural é uma prática notável e secular, desde os livros proibidos das abadias até o desprezo aos nerds que ousam juntar-se em comunidades globais para debater e mostrar assuntos de seu interesse.
Quem hoje, no ano da graça de 2004, ousará dizer que a Internet não é um veículo cultural? Por favor, deixemos as posturas de nobre ou de madame aristocrata que não aceita as novidades burguesas lá no século 17. Não é mais tempo para isso.
luís felipe posted at 11:23
como não fiz o trabalho de teoria de PP e decidi acordar só às 9 e meia, meus colegas não me verão na fabico hoje.
vou escrever um rápido resumo do que aconteceu na semana:
segunda - aula de véspera da prova de economia em que a prof. Cátia diz "não se preocupem, tudo vai dar certo." Animador. Almoço no RU por obrigação - não tinha comida em casa - depois entrevistei o irmão da Ana para o jornal, foi bem interessante, vou ver se passo essa matéria hoje. No mesmo dia planejei a matéria de capa do jornal. Fiquei acordado até as 2 e meia da manhã escrevendo o texto pra aula do Seben.
terça - o meu texto não foi lido, e ainda levei um corte por falar que a arte causava estranhamento. Na quarta o Seben disse que eu estava me achando por usar um conceito de "formalistas russos". Mas eu não falei grego, ora pipocas, quem não sabe o que é estranhamento? Renan me deu um bolo a respeito do almoço no RU, sem problemas, depois eu fui buscá-lo na reitoria para que ele conhecesse a fabico. Jogamos sinuca, eu tive minha 5ª vitória no dia. O jornal saiu, muito melhor que a primeira edição, até porque tinha 5 matérias minhas (modesto eu sou, não?)
quarta - prova de economia onde fui mal. Aquilo tirou meu gosto pelo dia. Também o fato do Renan ter dito que estou magro demais e isso ter causado insinuações de uso de drogas na sociedade. Logo eu que nem bebo mais! Estava me achando um lixo, mas percebi que isso não ia adiantar muito, então tratei de melhorar meu humor pra hoje. Também por isso decidi matar aula.
luís felipe posted at 11:13
segunda-feira, abril 26, 2004
"Sou o intervalo entre o que desejo ser e o que os outros me fizeram" Fernando Pessoa
no blog do léo.
luís felipe posted at 13:37
domingo, abril 25, 2004
afinal, tenho de acordar cedo amanhã.
meu poema "mau humor" saiu na loja.do.subsolo. Ali ao lado, no setor "literárias".
luís felipe posted at 22:52
De mais ninguém
Se ela me deixou, a dor
é minha só,
não é de mais ninguém.
Aos outros eu devolvo a dó,
Eu tenho a minha dor.
Se ela preferiu ficar sozinha,
ou já tem um outro bem.
Se ela me deixou
a dor é minha,
a dor é de quem tem.
É meu troféu, é o que restou,
é o que me aquece
sem me dar calor.
Se eu não tenho o meu amor,
eu tenho a minha dor.
A sala, o quarto, a casa está vazia,
a cozinha, o corredor.
Se nos meus braços ela não se aninha,
a dor é minha.
É o meu lençol, é o cobertor,
é o que me aquece
sem me dar calor.
Se eu não tenho o meu amor
eu tenho a minha dor.
o sentimento pra hoje é esse, a dor. E se fosse pouca eu não falava.
luís felipe posted at 11:37