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domingo, fevereiro 27, 2005

Um jogo de futebol que não vi, uma torcida muito alegre cantando sem parar, uma vitória magérrima, uma faixa que fiz. A volta pra casa reencontrando meu irmão que se mudou e ele me dando o abraço mais sincero e fraterno que já recebi nos últimos tempos. Nós nos amamos. Aliás, eu amo a todos na minha família. Porque tenho tanta dificuldade em demonstrar isso? Porque temos? Porque um abraço como aquele é tão difícil? Juro que me emocionei.

Domingo a noite no MSN é dia de conversas sempre interessantes, abrir o coração, falar sobre política, música, futebol. Os antigos talvez tinham isso com os seus bares da esquina. Meu pai tinha isso com o seu bar da esquina. Aliás, minha irmã sonhou com ele. Creio que minha irmã é médium. No sonho ele disse que sentia minha falta e outras coisas que ela não quis dizer.

Não fiz mais orações por ele. Não sei o porquê, talvez porque não queira pensar. Sinto também a falta dele e espero que ele esteja muito bem. Isso não é novidade para ninguém, creio que todos saibam. Porém, no dia nove fez um ano da sua partida e nada comentei. Talvez eu realmente não queira pensar, evito isso, assim como evito abraçar e beijar minha mãe todos os dias. Meu desafio nesse mundo deve ser aprender a manifestar os sentimentos de forma equilibrada: eu não sei e quero aprender.

Ainda firo deliberadamente. Ainda provoco. Ainda torturo mentalmente as pessoas. Ainda falo demais sobre problemas que não são problemas. Ainda esqueço de perguntar pros meus irmãos como foi o seu dia e como eles estão, pois assim a convivência dói menos e não precisamos falar de coisas desagradáveis. Como uma pax romana, prestes a ruir. Algo no fundo me diz que talvez a insistência em falar de coisas pessoais com eles pode me ajudar a ser mais próximo, resolver alguns problemas, carregar o mesmo fardo. Gosto de fazer isso com meus amigos. O que me impede de fazer o mesmo com eles?

Não sei. Não podemos fazer tudo ao mesmo tempo. A pax é cômoda e funciona. É elegante, também, para consumo externo. A elegância talvez não mais seja do que uma anestesia.

Minha amiga (agora posso chamá-la assim, creio) Fernanda partiu pra Curitiba e não me despedi. Devia ter devolvido para ela os CDs ontem e não o fiz por um deslize. Provavelmente a essa hora ela esteja no meio da viagem. Desejo toda a sorte do mundo pra ela nessa nova empreitada. Quero saber quais os problemas que ela resolveu. Mas ao mesmo tempo no sábado queria outras coisas e, novamente, não dá pra fazer tudo. Sad but true.

É difícil caminhar sempre pra frente sem retroceder, cair e ser um idiota de novo.

Mas não dá para pensar em si mesmo e ser inteligente ao mesmo tempo.

Ao menos não agora.

fazia tempo que não falava sobre mim.


luís felipe posted at 23:37

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