terça-feira, agosto 03, 2004
Bom, comecemos pela excursão.
Sim, eu fui de excursão, pois é bem mais em conta. O ônibus parecia uma caravana pro show do Roberto Carlos; muitas pessoas de meia idade, algumas senhoras idosas, mas praticamente só fêmeas. De machos, eu e um guri de dezesseis que foi à BsAs pra encontrar a namorada que conheceu pela Internet. Ele foi com uma outra guria (irmã? prima? não sei) e nós três, ao lado de duas gurias caxienses de 11 e 14 anos, éramos os mais jovens da viagem. Não nego que no princípio tive uma certa aversão pelas pessoas e pelas piadinhas sem graça, mas isso passou com a chegada na cidade.
Entrando na Capital, óbvio que queria olhar tudo o que se passava. Mesmo as vitrines das lojas mais obscuras, me fascinavam porque estavam em espanhol. Minha primeira viagem ao exterior, camaradas, não há como não se encantar por isso. Esse impacto inicial eu já tive quando passamos a fronteira da paz Livramento-Rivera, nos altos da madrugada, foi emocionante ver a primeira placa em espanhol, acho que era de uma casa de carnes.
Pisando em terras portenhas, de primeiro fomos à Calle Florida, da qual minha mãe tinha lembranças das lojas de couro e dos cachemires que vira nos idos de 1978, última vez que pisara na cidade. A Calle Florida é como uma Rua da Praia, toda calçada, sempre muito movimentada e cheia de lojas. Não há camelôs nas calçadas como aqui; em compensação, os vendedores não desistem de te encher o saco enquanto tu não entra numa loja, pelo menos pra ver os conteúdos. Ainda mais se tu é turista. Será que eles ganham pra atrair as pessoas, tão somente? Não sei, nada entendo de comércio. O fato é que minha mãe olhou muito e obviamente nada comprou, como de praxe, e eu olhei outro tanto sem nada levar, ainda que numa das passagens eu tenha visto o que seria minha compra com certeza, uma camiseta de um time local. Estava com o casaco de abrigo do Inter emprestado pelo meu irmão, o que causou reações de dois colorados com quem cruzei. "Dá-lhe Inter!" "Dá-lhe!". Quem disse que o colorado não é internacional?
O hotel tinha um atraente pub. Lamento com ardor o fato de não ter bebido uma cerveja sequer no lugar. No site do hotel constava que ali estavam as melhores cervejas da Argentina, exagero; existiam vários pubs até melhores por perto, como o Kilkenny. Mas também não os visitei, por que tinham coisas melhores pra fazer e também por falta de companhia. Ah, se a Fabico ficasse por ali...lembro também de ter tomado meu primeiro banho de banheira desde a primeira infância, o que causou alguns transtornos (como diabos eu lavo a cabeça nessa água parada? ainda bem que não tenho mais cabelo comprido...) mas foi muito bom. A seguir, desabei na cama. 19 horas de viagem não é fácil.
No dia seguinte, acordar cedo para um City Tour. Puerto Madero, Parque Palermo, Recoleta, La Boca e Caminito, Bombonera, monumentos, Plaza de Mayo e Casa Rosada, Congresso Nacional, não exatamente nessa ordem. Depois falo mais sobre eles todos, até porque nada demais vai acontecer nos próximos dias, então posso me ocupar a semana falando sobre a viagem.
música altamente recomendável: Miles Davis - um CD meu prestes a ficar inutilizado, que recuperei pra ouvir e não mais parei, desde as 23h - e Joss Stone. Nunca falei sobre ela aqui, mas ela merece ser citada. Parece uma atriz conhecida de filmes americanos (aquela que fez 10 coisas que odeio em você, sabem?) mas tem uma voz espetacular, aveludada, maravilhosa. Grande revelação da música soul. E tem 17 anos, é mais jovem que eu! Estou ficando velho.
isso é uma das coisas às quais estou me dedicando nas férias. Junto ao currículo do meu irmão. Talvez eu compre Crime e Castigo amanhã.
luís felipe posted at 00:47