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sábado, agosto 07, 2004

bom, a pedidos - inclusive de pessoas que eu não sabia que frequentavam essa página, ora veja - continuarei.

A terça feira do city tour reservava uma agradável surpresa: um show de tango. Estava determinado a não assistir, pois acreditava não ter a menor graça. A Manu, que já esteve lá, me recomendou o show; na viagem, o guia disse que parecia um espetáculo da Broadway. Fiquei curioso e decidi ver, até pra acompanhar a mãe, que provavelmente não gostaria de ir sozinha.

É um espetáculo maravilhoso. Não apenas pelos dançarinos, exibindo sua técnica incrível, os jogos de pernas, a velocidade, a sincronia. As músicas são muito bonitas, as duas orquestras de tango são boas - a segunda, do Ernesto Franco, é fantástica, com suas cinco gaitas, seus quatro violinos, seu contrabaixo e seu piano. O cantor principal, Fernando Soler, é bastante carismático. Não são as melhores interpretações que já ouvi das músicas, mas são as mais vivas - nunca as tinha visto apresentadas ao vivo.

Tinha também jantar, vinho, fomos levados e buscados pelo ônibus - enfim, um programa de luxo.

Lá pelas tantas, Soler começa a chamar pessoas no palco pra dançar, depois de cantar A Media Luz, La Cumparsita, El Día que me Quieras e outros tangos famosos. CHamou muita gente; pessoas do Chile, do México, dos Estados Unidos, até da Indonésia, estavam lá presentes. Chamaram sete bailarinos profissionais, uma das mulheres da excursão subiu pra dançar com um deles. Chamaram sete bailarinas, inclusive a cantora principal do show, que tem uma irmã gêmea. Que por sua vez, me chama pro palco. Eu viro de costas, achando que não é comigo, o que provoca muitas risadas por parte de todos - tinha spotlight em cima de mim e tudo. Quase morri de vergonha, mas fui. Nervoso, não sabia dar dois passos, ela foi me guiando. Foi um momento, digamos, histórico. O mais curioso é que em Caminito, minha mãe queria que eu tirasse uma foto com uma dançarina de tango, e eu não quis, sei lá, não conseguia imaginar minha cara com uma mulher daquelas. Senti vergonha, a bem dizer. Como punição, fui obrigado a pagar aquele vale na frente de centenas de pessoas do mundo todo. Que fantástico.

Minha mãe esqueceu a máquina e não tirou fotos. Uma lástima que não tenhamos registros daquela noite.

Na manhã seguinte, havia um passeio pelo Tren de la Costa e pelas ilhas do delta do Paraná, algo semelhante ao Delta do Jacuí por aqui. Chovia. Nós - eu e minha mãe - percebemos que não tinha a menor graça um passeio de barco com chuva e resolvemos cancelar, ainda bem que deu, apesar de ser na última hora. Tiramos então a manhã para ir ao Teatro Colón.

O Teatro é muito luxuoso. Tapetes vermelhos irretocáveis, escadas de mármore, bustos por todos os cantos, um chão feito de pedacinhos de pedra que foram colocados um por um. No saguão, placas registrando a presença do Balé Bolshoi, Enrico Caruso, Mikhail Baryshnikov. Antes, fomos conhecer as oficinas, onde o pessoal dá duro pra manter o nível dos espetáculos. Os armários do figurino são algo de grandiosos - milhares de roupas e sapatos podem ser encontrados por ali. Lá pelas tantas, acompanhamos o ensaio dos bailarinos e da Filarmônica de Buenos Aires. Claro que lembrei da Ju e da Ísis, que ficariam emocionadas vendo aquilo.

A Ju, especialmente, se emocionou quando disse que eu vi um Stradivarius; ele estava lá, à exposição junto com quatro outros violinos, até tirei uma foto.

Eu estaria sendo chato se descrevesse toda a luxúria do lugar - pra vocês terem uma idéia, o teto da sala dos espelhos que dá acesso à cabine presidencial é folhado a ouro. O palco principal tem 40 metros de altura, há sete andares de galerias pra quem queira ver os espetáculos. Enfim, o Teatro por si já é um espetáculo. Bem como uma prova da disparidade entre o que tem a classe alta e o que tem a classe pobre do país. No próximo post, falarei sobre a visita que minha mãe fez à Mabel, filha de uma antiga amiga dela e vocês entenderão o porquê dessa abordagem.


luís felipe posted at 05:00

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