quinta-feira, agosto 05, 2004
estou ocupando meu tempo fazendo tarefas de dona de casa - cozinhar, lavar roupas, etc. - jogando Championship Manager, lendo Crime e Castigo e enlouquecendo com minha irmã e minha mãe, portanto não tenho tido saco pra atualizar o blog. Mas meus leitores fantasmas exigem que eu continue comentando a viagem e assim o farei.
Como eu disse antes, o segundo dia de viagem envolvia um city tour por pontos turísticos da cidade. Acordamos cedo e embarcamos no micrônibus. O centro de Buenos Aires, planejado por urbanistas franceses, constitui-se num tabuleiro de xadrez (todas as ruas são retas, com exceção das nos arredores do porto e das duas diagonais; todas as quadras são retangulares) então pra se perder por ali é um doce. Experimentamos isso no 3º dia, quando fomos atrás da rua Lavalle, ficava três quadras do hotel na direção contrária do porto, e só descobrimos isso já quase no porto.
Voltando ao tour, o guia correntino era Eduardo, um baixinho simpático com um caprichado portunhol. Na banda que demos pela cidade, fomos apresentados ao obelisco, que inevitavelmente me lembrou aquela coluna do Veríssimo em que ele faz a relação fálica do obelisco com o seu país, já que todo país tem o seu e sempre como monumento de grande orgulho. É o marco zero do país, lugar onde foi hasteada a primeira bandeira argentina. Aliás, bandeiras não faltam pela capital federal, até as casas hasteiam as suas. Passamos pelo Teatro Colón, que posteriormente visitamos; detalhes em breve. Dali fomos até o Congresso Nacional, talvez o prédio mais lindo que já vi. Aqui tem uma foto. A coloração cinza da fachada, em vários tons, a singeleza e o detalhismo das colunas, as figuras à volta constituem uma harmonia maravilhosa com o ambiente. A praça do congresso é toda pichada e adesivada, com protestos contra o governo - não condeno isso, pois apesar de tudo é uma manifestação popular.
Saindo dali fomos à Plaza de Mayo, outro foco das ações dos piqueteros. Naquele dia estavam acampados na frente do palácio do governo (a Casa Rosada, que curiosamente não tem a fachada frontal virada para a praça, e sim para o rio da prata) veteranos da guerra das Malvinas, exigindo seus direitos como heróis da pátria. Na Catedral Metropolitana, que fica na mesma praça, existe uma chama que nunca se apaga, em homenagem ao herói da independência José de San Martín e ao "soldado desconhecido", provavelmente um fiel escudeiro do guasca. Quando dizem que "é um país que sabe valorizar a sua história", realmente não estão brincando.
Depois disso fomos em direção ao bairro de La Boca, no sul humilde da capital federal. Bairro de forte influência italiana, segundo o guia. Realmente os meandros do lugar dariam um bom cenário para Ladrões de Bicicleta ou Cinema Paradiso, as ruas estreitas, as casas sempre próximas com as varandas voltadas para a rua, os ladrilhos. La Boca é um lugar bem aconchegante. No caminito, nada demais, senão as casas coloridas, as pessoas fazendo poses dançando tango, o belo artesanato sendo vendido e o delicioso humor dos argentinos. Lá pelas tantas aparece numa das tantas sacadas do Caminito três figuras - Maradona, Eva e Juan Perón - como se eles fossem familiares ao lugar. Há três minutos dali, La Bombonera, o mítico estádio do Boca Juniors, que fica numa quadra realmente muito pequena (menor que a dos Eucaliptos) o que justifica as arquibancadas íngremes e a proximidade do campo. A curiosidade futebolística dá conta que River e Boca eram clubes do mesmo bairro, mas lá pelas tantas o River mudou-se pro requintado bairro de Nuñez onde construiu o seu Monumental - a contar pelo lugar onde foi construído o estádio do Boca, realmente é uma boa justificativa. O arredor do estádio também é uma atração à parte: há uma loja de artigos do Boca Juniors que toca músicas relativas ao Boca em alto volume o DIA INTEIRO. Imagine ser vizinho da loja.
Saindo de lá, passamos pelo Puerto Madero, uma área muito luxuosa da cidade, mais ou menos cinco vezes mais luxuosa que o Moinhos de Vento; lá tem até um cassino flutuante, que depois comentarei brevemente sobre. Aportamos no parque Palermo, um parque um pouco maior que a Redenção, tão belo quanto e um pouco melhor preservado. As mulheres argentinas usam aquele lugar como praia e tomam banho de sol de biquíni no verão. Isso que a temperatura não chega aos 30 graus - um carioca iria morrer de rir.
luís felipe posted at 00:37