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quarta-feira, agosto 18, 2004

Vocês têm acompanhado essa história do Conselho Federal de Jornalismo? Não é difícil, ainda mais pra quem discorda do governo federal: pelo menos aqui no RS, todos os veículos de imprensa desceram a lenha na idéia. Hoje, a Rosane de Oliveira na sua coluna em ZH inclusive tenta convencer os leitores de que é uma idéia que já está morta e foi ressucitada erroneamente pelo "presidente boquirroto".

A idéia do conselho realmente tem muitos defeitos. Discordo por exemplo do caráter deliberativo que deram à coisa: todo jornalista tem de pagar uma mensalidade pra ser fiscalizado e delatado pelos colegas caso faça algo errado. Daí para o controle estatal dos meios de comunicação é um passo. Mas creio que um conselho que faça a discussão da atividade de mídia no Brasil é fundamental. Não precisa ser um conselho autoritário e fiscalizador, mas um conselho que dê recomendações, exponha os jornalistas à análise pública. Porque a verdade é que ninguém faz isso no Brasil. Salvo raras iniciativas independentes, como o Observatório da Imprensa, não há uma atitude realmente significativa de discussão sobre a mídia. E o conselho, com todas suas imperfeições, se propunha a isso.

Recentemente ouvi uma entrevista da Ana Amélia Lemos com um dos idealizadores do conselho, acho que era o deputado Greenhalgh, mas não tenho certeza. A Ana Amélia, voz da RBS que obviamente é contrária ao Cenaj, perguntou: "Mas afinal, qual é a função que um conselho desses teria pra sociedade?" "Principalmente, a função de levar a público a discussão da atividade jornalística", respondeu o deputado. "Mas isso não pode ser feito pela própria imprensa?" perguntou ela. A mesma idéia da pergunta foi levantada pelo ministro Nélson Jobim, dizendo que a própria imprensa deveria fiscalizar-se.

O curioso nessa história é que parece um poder paralelo, como o tráfico de drogas: aqui o governo não põe os pés, é censura, nós decidimos o que é melhor pra nós. Sem querer, sem saber, ou não querendo dizer pra evitar comprometimento, os jornalistas de hoje estão submetendo os futuros colegas e eles próprios à seguinte situação: nós aceitamos ser comandados sem reservas pelos 15 patrões que temos no Brasil, mas não pelo governo. Quem acha que a subordinação da imprensa será evitada com a derrota da Cenaj, engana-se, é só analisar a Ana Amélia Lemos. Quem garante que dentro da RBS a opinião contrária à Cenaj é unânime? Garanto que não, pois a RBS é grande demais pra manter uma unanimidade. Mas eu aposto que ninguém viu UMA manifestação sequer contrária à opinião da empresa pelos seus jornalistas nos veículos de comunicação. Falam em liberdade de expressão, mas os jornalistas continuam amordaçados: se não é pelo governo, é pelo patronato, que reina absoluto na comunicação nacional.

Sendo que o governo pode mudar a cada quatro anos; os patrões se eternizam em dinastias nas empresas que comandam.


luís felipe posted at 09:56

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