segunda-feira, março 01, 2004
A Sociedade do Anel levou quatro; As Duas Torres levou dois; O Retorno do Rei levou assustadores onze. Ao todo, a trilogia Senhor dos Anéis levou 17 oscars, passou a marca de um bilhão de dólares adquiridos em bilheteria e teve umas oito horas, nas suas versões reduzidas.
Pode-se dizer que o velho J.R.R Tolkien produziu a maior marca da história da sétima arte.
Como eu falei, é um prêmio de consolação: atores esquecidos, filmes que custaram muito caro, roteiristas sem talento literário, todos eles tem seus momentos de glória na noite do Oscar. Os grandes estúdios, principalmente: o que seria de Miramax, Paramount, 20th Century Fox, sem um prêmio desses para dizer ao mundo que seus filmes são arte? O Oscar é o mana para esses estúdios todos que investem muito dinheiro no cinema. É uma forma de recompensar o investimento. Não é e nunca foi um prêmio artístico, por isso que Cidade de Deus foi mais uma vez ignorado. Até porque, também, ninguém mais lembrava que esse filme poderia concorrer, depois de ter sido rejeitado na categoria Melhor Filme Estrangeiro em 2003 porque a Academia o considerou "violento demais". Com uma máquina de guerra como o Senhor dos Anéis ganhando tudo, não havia porque manter essa hipocrisia. Mas o Brasil tem muito o que evoluir em termos de auto-suficiência econômica no cinema para poder arrebatar um desses prêmios.
Não é questão de ficar a favor do Oscar ou de Cidade de Deus, a questão é que o cinema tem várias formas de ser visto: uma delas é a forma econômica, que larga superproduções que dão certo (Senhor dos Anéis) e que dão errado (Pearl Harbor) dependendo do lucro que trazem. A outra é a visão artística, que produz filmes que causam estranhamento e que são marcantes às pessoas pela tendência, como Dogville, Hurricane - O Furacão, A Outra História Americana, os filmes do David Lynch. Há filmes que conseguem o equilíbrio entre essas duas visões de cinema e são premiados, como O Poderoso Chefão, Beleza Americana. Há outros que são visivelmente tencionados a vender e são premiados, como Chicago, Titanic. Existem casos de puro mau gosto, como Conduzindo Miss Daisy e Shakespeare Apaixonado. Mas NUNCA um prêmio será dado puramente pelo seu valor artístico. Ele tem de arrecadar muitos milhões de dólares antes.
O ridículo Invasões Bárbaras foi premiado, como eu previ. Não deixa de ser mais uma invasão bárbara.
Enfim, o que eu gostei na festa, além da Nicole Kidman e da Catherine Zeta-Jones (a beleza feminina em momento supremo) foi a sua curta duração e a apresentação brilhante de Will Farrell e Jack Black, cantando a música que toca quando os discursos de premiação duram além do desejado. Fantástico.
Me surpreendi comigo mesmo, há dois anos atrás eu nem ia ao cinema por raiva dessa máquina de idiotização que era o conceito americano. Estou quebrando minhas resistências a indústria cultural.
Resta uma pergunta, qual a melhor trilogia, Senhor dos Anéis ou Matrix? não vi nenhuma das duas inteira.
luís felipe posted at 02:37