sábado, março 06, 2004
Posso afirmar com conhecimento de causa que em poucas épocas da minha vida tudo deu tão errado como no último mês. Meu pai morreu, perdi a melhor oportunidade de emprego da vida, peguei nojo do carnaval do Rosa, uma gripe derrubou meus últimos dias de praia, e para a cereja do bolo ontem ainda tomei um porre que me deixou inconsciente em virtude de uma intoxicação alcóolica.
Ontem de manhã fui pra fabico, teve aquela discussão do que fazer no trote, tudo bem combinado, apesar de que eu acho que muita coisa será mudada na última hora. Peguei o material de matrícula, faixa 7, número 604, farei tudo dia 12/03 ás 11h da manhã. Almoçamos Emily, Julia, Rézel e eu no São Matheus, um bom restaurante na Ramiro depois da Osvaldo, á tarde jogamos sinuca, olhamos os bixos e eu entreguei o CD pro Rodrigo, não necessariamente nesta ordem. Até aí tudo ótimo.
Eis que havia a idéia de todos irmos pra Lima e Silva à noite, inaugurar os trabalhos do semestre. A Lima e Silva, para os que não sabem, é como um anexo da Fabico, não apenas por ser perto mas também pelo clima do lugar, um dos mais movimentados da noite de Porto Alegre. Eu não tava motivado pra ir, falei isso pra Emily, que insistiu e eu cedi. Uma hora depois do combinado nos reunimos na casa da Ana, sempre vamos pra lá pra começar e muitas vezes terminar as noitadas.
Saímos pra descobrir um bar, todos estavam lotados, achei o Gustavo, antigo colega de Aplicação que talvez pelo seu estado alcóolico esqueceu de dizer que já tinha pedido a conta e ia liberar a mesa. Impacientes, fomos a uma tabacaria comprar vodka e suco de laranja, decidindo ficar pela casa da Ana mesmo. Idéia infeliz, ao menos pra mim. Depois de um bom tempo de conversa e uns três ou quatro copos daquela bebida misturada com gelo (hi-fi?) lembro-me que estávamos discutindo algo sobre o Matheus, veterano nosso, e fui pra sacada olhar a lua.
A partir daí só lembro de estar numa cama de hospital, com um soro no braço esquerdo, a Emily de branco por perto e uma guria completamente amarela de um coma alcóolico no leito ao lado.
Não lembro de nada que aconteceu. Dizem eles que eu fui pra cozinha, onde comecei a gritar "ah meu deus" e vomitar na pia. O Thiago, irmão da Ana, disse que não era pra ligar muito, foi lá e me deu um Engov. Só descobriram que eu estava inconsciente quando fui pra sala, completamente pálido e tremendo, sem conseguir controlar meus movimentos. Conseguia andar, mas não me coordenava. O pessoal do HPS, onde fui, perguntou se eu tinha usado outras drogas, não me lembro se respondi, certamente disseram por mim que não. Parece que fiquei uma hora e meia por lá. Entendo porque aconteceu isso: eu comi pouco antes de sair, uns dois sanduíches de queijo, antes das 20h. Porque não pode ter sido a bebida em si: a Julia e a Emily, ao que recordo, beberam a mesma quantidade que eu, e não estava tudo tão forte. O mais curioso é que eu não lembro de ter passado pelo processo tradicional da pessoa que leva um porre, tipo trocar as pernas, cair, falar com a língua enrolada. Só sei que fiquei inconsciente.
Tenho que cuidar bem mais do meu corpo, da minha alimentação, e certamente não beberei pelos próximos.....meses? anos? décadas? Pretendo nunca mais beber, mas sei que não é fácil uma ruptura súbita. Então, ao contrário do que disse ao voltar pra casa da Ana, que não queria nunca mais beber, no desespero e no estado de choque em que fiquei depois do acontecido, vou dizer o seguinte, por ora: não vou beber neste semestre. Quem me conhece pode cobrar. Pretendo repetir a mesma meta pelos próximos, mas por enquanto vou pensar apenas neste. E comerei mais glicose. E tomarei mais água pra não desidratar.
Todo agradecimento é pouco para as pessoas que estavam ao meu lado nesta noite. Eu não sou assim sempre, acreditem. Espero levantar mais forte desta queda fiasquenta e ridícula, mais absurda que aquele tombo na frente do dacom, que quem não viu deve saber da história.
P.S.: quando chego em casa minha irmã me diz: "Ah, isso não é nada. Já aconteceu comigo duas vezes. Pára de fazer drama." Mesmo assim, prefiro não arriscar.
luís felipe posted at 22:48