quinta-feira, fevereiro 12, 2004
os pouco criativos certamente dirão que é uma cópia do template da cecília e da clau, que você pode conferir logo ao lado.
mas a verdade é que está mudada a coisa, espero que estejam solucionados agora os tais problemas da quebra de linha.
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acho que vou pra praia esse fim de semana. Minha mãe está precisando de férias. As coisas estão melhores aqui em casa do que estavam ontem, quando parecia que uma neblina forte tinha descido por aqui. Estamos tentando seguir em frente, há algumas coisas burocráticas a serem providenciadas, já disse pra mãe que vou ajudá-la no que for preciso.
muitas pessoas estiveram presentes no funeral, umas 80 pessoas parece. Muita gente da Sociedade Espírita foi, fizemos uma prece logo antes. Os doutores Isaac e Elias, que tanto nos ajudaram, também estiveram lá, o dr. Isaac sempre muito prestativo, dizendo que ia nos ajudar no que fosse preciso. Ele de fato confia na gente. Era uma das poucas pessoas que eu não conhecia na ocasião.
É cruel, eu sei que é cruel, mas foi um momento de dor e também de glória. Meu pai faleceu como um lutador, um guerreiro, e posso dizer com todas as letras que venceu. Tenho muito orgulho dele, que jamais se abateu em dois anos e meio de luta contra o câncer, sempre soube que de nada adiantava se lamentar, nunca negou o tratamento, nem o apoio das pessoas queridas. Ele foi um exemplo de vida para todos nós, cara, como eu gostaria que as pessoas que lêem esse blog, a maior parte da faculdade, conhecessem ele. Antes do estado dele chegar na parte crítica, tu jamais pensaria que ele estava doente. Os próprios médicos diziam que ele estava melhor que eles, tamanha a jovialidade e a presença de espírito.
Só que um dia teria de acontecer, infelizmente foi terça-feira. Eu chorei, claro, e fiquei muito mal, muito triste quando soube que ele partiu. E ainda sentirei meus lábios apertarem e certamente mais lágrimas correrão. Mas eu sei, e toda minha família sabe, que ele foi descansar, que será curado e que ele foi um VENCEDOR. Saiu da mais absoluta pobreza, filho de mãe solteira, teve que começar a sustentar a família com treze anos de idade, carregando caixas na Voluntários da Pátria. Deu uma vida decente pro irmão, jogou futebol, chegou a gerente de banco, casou com minha mãe. Teve o meu irmão, Paulo, há 31 anos, depois sucedeu uma série de dificuldades, dívidas, recessões, vícios. Ainda assim criou ele e o André, filho da dona Rosa, que tinha problemas em criá-lo, se juntou à nossa família e virou meu segundo irmão. Seis anos depois veio a Luiza, mais seis anos e eu apareci, depois a nossa casa foi construída, com dinheiro dele e idéias da minha mãe. Hoje, nesse terreno, moram mais nove pessoas, minha mãe, todos os meus irmãos, mais as cunhadas dos meus irmãos e as três sobrinhas, Júlia, Gabriela e Laura.
Ele saiu do nada, da miséria, da necessidade total, da situação em que muitos proclamam que tem de ser feito aborto, criou uma família e ganhou a estima não só das oitenta pessoas que estiveram na sua despedida do mundo corpóreo, como de centenas de outras pessoas que passaram na sua vida deixando marcas, lembranças, boas memórias.
Eu tenho muito orgulho de ter tido um pai assim. Não preciso de herança, pensão, não preciso de nada material pra dizer isso. Seria muito egoísmo de minha parte dizer que ele deveria ficar comigo até o fim da minha vida. Eu gostaria, mas sei que ele será curado no plano maior, e em breve o encontrarei. Tenhamos o devido respeito com esse homem. Ele foi iluminado. Digo esse muito obrigado de todo o coração.
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puxa, o texto era pra ser pequeno, só pra inaugurar o novo template, mas me emocionei digitando. Quem quiser, leia. Mesmo sendo pouco pra dizer tudo que sinto.
luís felipe posted at 05:17