sábado, fevereiro 28, 2004
vou escrever sobre algo que não interessa a ninguém mas estou a fim de escrever, então, se alguém não gostar não leia.
tipo, foi um dos períodos em que eu vi mais filmes em toda a minha vida, entre janeiro e agora. Aí num desses momentos de inutilidade eu resolvi escrever minha opinião sobre todos eles.
lá vamos nós:
As Invasões Bárbaras: não gostei desse filme por razões estritamente pessoais, achei muito irreal o tratamento dado à doença do professor Remý. Mas eu fui espinafrado por meio mundo quando disse que não havia gostado, então creio que a opinião unânime dará à película um Oscar e todos ficarão felizes. Eu, porque desprezo o Oscar, acho um prêmio de consolação barato; os que gostaram do filme, porque vão ver que têm razão, ganhou o maior prêmio do cinema mundial.
Vocês não tem noção da perseguição que sofri por detestar o filme. Pra terem uma idéia, perdi minha agenda no laboratório de informática da fabico. Ela continha algumas opiniões sobre o filme, como a nota 5, a reclamação pelos clichês, o questionamento sobre a morte do pai. O distinto achador da agenda me mandou um e-mail dizendo que havia encontrado e nesse e-mail ele monta em cima das minhas críticas, e ainda arremata com o seguinte: "Bom, tu deves assistir Malhação, né, como comparar?"
a partir daí para qualquer um que quiser uma opinião sobre Invasões eu direi: É BOM, EXCELENTE. VAI FUNDO. Assim passo por menos fogueiras. Opinião sincera: nota 5.
Senhor dos Anéis, o Retorno do Rei: é uma superprodução, e tem grandes vantagens, como o extremo cuidado na composição dos personagens, no realismo fantástico, as tomadas maravilhosas, a fotografia estupenda, enfim, é um baita filme. É uma boa superprodução, mas superproduções não são exatamente meu gênero preferido. Então, apesar de ser excelente, não me deixou grandes marcas, como Cidade de Deus, por exemplo. Destaque para o sofrimento do Frodo (definitivamente o personagem que mais levou ferro no cinema desse século), para a maravilhosa, ainda que inverossímil, cena das tochas se acendendo no topo das montanhas e, sem dúvida, para o Gandalf de Ian McKellen. Nota 8,5
Dogville: adorei esse filme, é arrebatador, angustiante e por mais que seja exagerado, dá um retrato comovente da depressão norte-americana e da hipocrisia das sociedades onde tudo parece calmo e tranquilo. O melhor do filme é o cenário, completamente inovador, apenas um palco de asfalto com riscos indicando onde fica a cidade. Não existem paredes, o que ressalta a assertiva hipócrita daquela cidadezinha. A Nicole Kidman tá bem. A melhor coisa nos filmes é quando eles te passam um sentimento, eu saí do cinema quase sufocado, o que considerei um bom sinal. nota 9.
Cidadão Kane:peguei esse filme na fabico, foi talvez o último filme que assisti com meu pai. Também por isso ele tem um sentido todo especial, ele entendia muito de cinema e adorou o filme. É 1944, preto e branco, mas chama a atenção pela ousadia das tomadas e pela qualidade do enredo. De fato, uma película antológica. Gostei das interpretações, ainda que não sejam maravilhosas, pois a história se sobrepõe. Um jornalista daqueles que faz noticiários no cinema sai atrás das últimas palavras de Kane, já morto, para dar um tempero no programa sobre a morte do distinto. Descobre que o velho magnata disse "Rosebud" por último e sai atrás de pessoas relacionadas com ele para saber porque diabos aquela palavra saiu da sua boca na hora fatal, e assim desenvolve-se a história da vida do cidadão. É contagiante, muito bom. Dizem que é a obra-prima do Welles, eu ainda quero ver O Terceiro Homem e A Marca da Maldade. nota 10.
Adeus, Lênin: é um filme bem razoável, não chega a ser excelente, mas tem uma temática bem original (qual outro filme abordou a alemanha oriental daquela época com tamanha qualidade?) e um humor sutil, que não cai na palhaçada. Parece bem centrado politicamente, não tende para o lado comunista nem para o unificado, o que dá uma impressão de honestidade ao diretor. Só que às vezes a comédia é alemã demais, fria demais, as piadas apelam de menos e por isso não vão pra frente em certos momentos. Mas é um filme bom, como postei anteriormente sobre ele, pra ver com a namorada, numa sessão da tarde com pipoca e chuva. Nota 7.
Filadélfia: vi esse filme pela primeira vez com oito anos e não entendi nada. Dez anos depois, percebo o quão bom foi aquela fita reproduzida na minha frente. O Tom Hanks ganha o filme com a sua interpretação doída e angustiada do Andrew Beckett. As cenas do tribunal tem uma mobilidade e uma intensidade que não se vêem muito nesses filmes de julgamento. Muito bom. nota 9
Procurando Nemo:que grande filme! Vocês que não gostam de animações, desenhos, acham infantil demais, esqueçam que estão diante de peixinhos e aquários e pensem em personagens reais. Cada protagonista do Procurando Nemo é um ótimo ator, a começar pela maravilhosa e engraçadíssima Dory - "Qual o seu nome? Nemo? NEMO???...bonito nome." Além de um trabalho gráfico maravilhoso, é uma comédia muito divertida, superou minhas expectativas. Defeitos? Não lembro de nenhum em especial. Longa vida à Pixar. nota 9,5
O Exterminador do Futuro 3: que saudades do James Cameron. O construtor naval sabia muito bem usar o Schwarzenegger, que não é lá um exocet da interpretação mas tem suas virtudes. O diretor Jonathan Mostow transformou o governador da califórnia num autômato. Mas isso não é o pior do filme: o moço deve ter aprendido a dirigir com o pessoal da saga Sexta Feira 13, e outras películas trash por aí, pois tem uma sede de sangue inesgotável. Destaque para a cena em que o braço da terminatrix dirige o carro após atravessar o banco e o corpo do motorista. A história também tem conflitos interessantes que poderiam dar um enredo legal (o exterminador mataria o próprio John Connor; ele se casaria com a Katherine sem gostar dela; ele só obedece as ordens dela, será que ela mandaria matar o marido?) mas que são completamente ignorados pelo festival de sangue e efeitos visuais. Ruim. nota 4.
acho que por hoje era isso. Críticas e sugestões às minhas opiniões sobre cinema são bem vindas.
luís felipe posted at 04:10