segunda-feira, janeiro 26, 2004
preciso me tratar.
quando a depressão bate em mim, não cura tão fácil. Alguém é parceiro de ver uma comédia idiota comigo amanhã ou terça?
ah, mas amanhã tem rpg....dependendo do meu estado emocional, não vou pro jogo. Que sentido há em simular batalhas?
Poderia ser pior, é verdade. Sempre penso nas crianças que vêm pedir comida aqui em casa. Pra elas, realmente, nada é fácil. Elas têm de depender da boa vontade de nós pra fazerem uma ou duas refeições por dia. Tentem imaginar o que é isso. Não tem geladeira pra abrir e pegar o que se quer; não tem televisão pra ver e se distrair até a fome passar; não tem blog pra contar a nova dieta. Não tem nada. Só o que tem é um carrinho pra carregar papel e uma esperança de que eles vão chegar no número 325 e alguém vai dar um sanduíche de mortadela. Porque só assim eles terão força pra aguentar o dia de trabalho.
Isso sim, é muito triste. Todo o vazio que sinto não é nada perto do fardo enorme que essas crianças tem que carregar. Essas crianças, sim, eu respeito. Eu sou um fraco, um nada, perto da resistência de alma e da força que elas têm.
É contra injustiças como essa que temos de lutar. Não podemos ficar parados, nos lamentando e pensando em bobagens. Sempre há muito o que fazer por muita gente.
Se a burguesia (nós) tivesse o espírito de luta que têm as classes mais pobres e as classes mais pobres tivessem todos os recursos da burguesia, quão melhor não seria o nosso país?
Vou dormir pensando quanto tempo perco me destruindo quando poderia construir a vida de outra pessoa.
música: o barulho do ventilador.
decepção: a seleção olímpica caiu. Mas é até bom pros santistas e cruzeirenses perderem a marra.
pergunta: porque as pessoas erram uma vez, se decepcionam, percebem que há algo bem melhor e depois insistem no mesmo erro?
luís felipe posted at 01:47